terça-feira, 20 de setembro de 2016

A palavra e o mundo - Teoria da Viagem


«Se escavarmos as nossas memórias de infância lembramos primeiro caminhos, e depois coisas e pessoas - carreiros no jardim. O caminho para a escola, o percurso em volta da casa, áleas por entre fetos e erva verde.»( 1)

Toda a nossa história humana se construiu em redor desta escolha, que todos fazemos, entre o desconhecido, a miragem da geografia, o cansaço do corpo nos trilhos do vento e o lugar fixo, sedentário. Entre pastores e camponeses, entre a Geografia e a História, a dúvida no amanhecer e a certeza em todos os dias, eis a escolha que a condição humana tem feito. No essencial, a viagem.

Ela é a marca impressiva, o pergaminho que nos dá o reconhecimento do que somos, a verificação das capacidades individuais nos momentos em que o real, o quotidiano é desordenado pelo azul do céu, o verde das florestas ou o castanho poente do deserto. Poucas coisas, raras, são as que nos dão a oportunidade de fazer a descoberta interior, como as que encontramos nos tons da aurora e do crepúsculo, na brancura das nuvens, na descida de um rio ou na subida íngreme de um trilho de montanha.

É na Geografia que descobrimos a multiplicidade do que somos, tão difícil de explicar. É ela que nos permite o nosso irregular talento por criar a originalidade humana. Perante a dimensão do natural conseguimos exprimir melhor as emoções que numa sociedade civilizada tem demasiados obstáculos ao sentido do ser.

Michael Onfray escreveu um livro fascinante sobre a viagem, as motivações dos viajantes, o desejo de encontro nos vastos espaços, a cartografia do mundo no encontro com a memória e com a palavra. Um livro que nos faz descobrir como o viajante encerra em si uma liberdade capaz de discutir as certezas dos que vivem instalados num real conhecido, previsível e domesticado pela razão e pelo conforto. 

As culturas, os homens que na História ousaram construir sob o tempo social, um outro, mais individual, subjectivo, emocional, guiados pela Natureza e seus ritmos conseguiram chegar ao encontro único. Aquele que podemos fazer com nós próprios, num movimento finito, que apesar da mortalidade nos permita comportar como «fragmentos da eternidade» (2)

(1) Bruce Chatwin, Anatomia da Errância
(2) Michael Onfray, Teoria da Viagem

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A palavra e o mundo

"Não são as pessoas que fazem as viagens mas sim as viagens que fazem as pessoas." (1)

A palavra e o mundo é a designação que escolhemos para a etiqueta que organizará um conjunto de propostas de leitura, exploração de temáticas à volta de uma ideia chave, o livro e a viagem. Literatura de viagens no seu sentido mais lato, mas também outras formas de viajar. A viagem dentro do livro, aquela que nos permite transformar um sentido, uma forma de ver o mundo, de nele escrever o que tentamos ser. A viagem como descoberta, entre as suas dimensões físicas e espirituais.

Conhecer o mundo é ir ao encontro de diversas culturas, de diferentes cores, de ver a vida. Como John Steinbeck nos soube dizer há várias décadas é a viagem que nos faz. É ela que nos faz ser o traçado mais importante da geografia, é ela que nos faz descobrir os poemas do planeta, em cada recolha de sal e pó. É a viagem que nos organiza, nos identifica e é nela que a variedade do mundo nos recria de originalidade.

A palavra e o mundo é no fundo a construção pelos livros de uma viagem nas suas diversas dimensões. A viagem também como como forma de aprendizagem, pois é nela que podemos compreender a beleza do planeta, a sua diversidade, o belo entre os momentos de imperfeição de que é composta a vida.

(1) John Steinbeck, citado do prefácio de Gonçalo Cadilhe, Um lugar dentro de nós. (2012). Lisboa: Clube do Autor.
 Imagem - Ilha de São Miguel, Açores.

sábado, 23 de abril de 2016

Ler...

Ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. 
Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para mexericos e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais? Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas. (…)

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projectos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incómodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem do submisso. Para executar ordens, a palavra é inútil.

Alem disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna colectivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida. Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

Guiomar de Grammont: “Ler devia ser proibido”, 
in PRADO, J. & CONDINI, P. (Org.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp. 71-73.
Imagem: The Sisters” (1839) by Margaret Sarah Carpenter (1793-1872).

terça-feira, 12 de abril de 2016

Habitar os LIvros (II)

Um dia, eu disse: vamos brincar à beleza das coisas que se pensam, como as que se lêem. Porque as coisas que se lêem precisam de ser pensadas. E ela perguntou: as que existem ou as que não existem? E eu disse: todas. As coisas todas que pudermos imaginar.
Então, ela propôs: pássaros com trombas de elefante a voar sobre cabeças de mulheres com raízes de árvores. 

Rimos muito e eu exclamei: que lindo. Repeti, lentamente: pássaros com trombas de elefante a voar sobre cabeças de mulheres com cabelos de raízes de árvores. Depois acrescentei: chávenas de chá com bocas falantes que ferram mãos de quem as tenta pegar. Rimos muito e ele exclamou: que lindo. Repetiu: chávenas que ferram. 
Ela disse: carros com pneus feitos de batatas gigantes que têm pêlos como as pernas dos homens e a transportar famílias de galinhas felizes. Rimos e eu exclamei: que lindo, adoro galinhas felizes. Repeti: carros com famílias de galinhas felizes.

E se fosse um homem com tartarugas ao invés de olhos? Ia ver muito devagarinho. E outro que tivesse um canguru ao invés da boca? Ia falar aos saltos.
Uma árvore que tivesse braços de pessoa ao invés de troncos e segurasse ninhos de cegonhas nas mãos. Que lindo! Depois, eu disse: os meus pais a darem um beijo. E os meus avós. E ela respondeu: e os meus também. Rimos, e exclamamos subitamente em conjunto: que lindo.

Fui dizer-lhe que me haviam levado os livros do quarto. Estava igual a sozinho. Absolutamente sozinho a noite inteira. E ela respondeu: isso é feio. Sabia bem que importância tinham para as minhas histórias. Ela perguntou: e agora? Eu respondi: passo os dias à espera dos intervalos para ler um bocadinho. Passo as noites a sonhar à pressa para poder acordar e voltar a ler. Ela respondeu: sonhar à pressa é uma pena.
Quando eu sonhava que lia, acordava. Parecia um castigo.

Era comum, subitamente, que eu me esquecesse de tudo durante os intervalos. Corria para os bancos no lado da frente do colégio, à vista dos janelões principais, e aí deitava os olhos às letras e a alma inteira à imaginação. Quando era hora de entrar, tantas vezes algum colega vinha cutucar-me. Diziam: anda, seu distraído. Anda embora.

Um dia, ninguém me cutucou. Fiquei apenas caminhando dentro de mim, o que era diferente da solidão. (...) Voltaram para dizer à professora: parece que se mudou para dentro do livro porque não ouve a nossa voz. Usámos os binóculos da sala de ciências e vimos bem, senhora professora. Ele sorri. Está feliz.
Isso levantara o problema de saber como trocar a felicidade pelo regresso à aula.

Valter Hugo Mãe. (2015). "O rapaz que habitava os livros". Porto: Porto Editora, págs. 95-97.
Imagem -Copyright: André Neves

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Habitar os livros (I)

Fui ver a minha nova estante logo pela manhã.
Era um bocado de espaço arranjado entre tralhas meio esquecidas. Fiquei ofendido. Os livros não esquecem nada. Eles são sempre a mesma memória admirável. Esquecer livros é uma agressão à sua própria natureza. Embora, na verdade, eles nem se devem importar, porque podem esperar eternamente. (...)
As histórias podem comer muitas palavras.
Pensei: os meus queridos livros. Era o que eu pensava e sentia: os meus queridos livros. Olhava-os como se estivessem vivos e pudessem sofrer. Como se pudessem também entristecer.

Gostei de colocar a hipótese de os livros serem como bichos. Isso faz deles o que sempre suspeitei: os livros são objectos cardíacos. Pulsam, mudam, têm intenções, prestam atenção. Lidos profundamente, eles estão incrivelmente vivos. Escolhem leitores e entregam mais a uns do que a outros. Têm uma preferência. São inteligentes e reconhecem a inteligência. 
Os livros estão esbugalhados a olhar para nós. Quando os seguramos, páginas abertas, eles também estão esbugalhados a olhar para nós. (...)

A primeira vez que vi um livro, que me lembre, era um que estava aberto, pousado sobre a mesa, com as folhas em leque como se fossem uma colorida flor contente. (...) Depois, compreendi, era o modo silencioso das conversas. Todos os livros são conversas que os escritores nos deixam. Podemos conversar com Camões, Shakespeare ou Machado de Assis, mesmo que tenham morrido há tantos anos.
A morte não importa muito para os livros.

Mais tarde, aprendi que os livros acontecem dentro de nós. Claro que eles podem ser bonitos de ver, mas são sobretudo incríveis de pensar. Eu disse ler é como caminhar dentro de mim mesmo. E é verdade. Quando lemos estamos a percorrer o nosso próprio interior.
Uma menina do colégio perguntava-me sempre se eu queria brincar às coisas bonitas. Brincar de beleza, dizia assim. Era igual a ficarmos cheios de delicadezas a fazer de conta que adorávamos tudo: os puxadores velhos das portas, os livros de álgebra, as meias rendadas da professora, a sopa de beterraba à hora do jantar no refeitório ou o cão zangado do guarda nocturno. Servia de maneira divertida para fazermos de conta que o mundo era maravilhoso e, subitamente, o mundo inteirinho parecia mesmo maravilhoso. Isso era tão bom de sentir.

Valter Hugo Mãe. (2015). "O rapaz que habitava os livros". Porto: Porto Editora. 93-94.
Imagem: Copyright - Festival au fort d'aubervilliers.

domingo, 3 de abril de 2016

O livro e o leitor

"Entre as frases -, no intervalo que as separa permanece ainda hoje como num hipogeu inviolado, enchendo os intrerstícios, um silêncio muitas vezes secular." (1)

A História das Instituições e a evolução social estão marcados por um objecto que lê o que nos rodeia e que é por isso uma ferramenta de análise e de assimilação de valores culturais. A importância do livro nas sociedades históricas releva da construção da memória, da afirmação e coesão do contexto social, mas também das suas marcas nos espaços privados, na construção do gosto individual. 
Exemplos da tentação de domesticar as ideias, pela posse de livros censurados, a sua destruição como objecto desorganizador do quotidiano não faltam. Eles revelam a importância da memória nas sociedades humanas.

O livro empresta aos seus utilizadores uma desafiadora noção de individualidade, capaz de fazer criar a dúvida, a inquietação e é por isso que alguns no extremo acreditaram que queimar o livro, é destruir as palavras e a as ideias que nele vivem. Acreditaram infantilmente que o passado podia ser mais que apagado, reescrito. O livro tem pois um valor significativo, mas também simbólico. Ele empresta ao quotidiano aspectos organizativos, concedeu valoração a muitas representações culturais e certificou ideias emergentes e causas. 
O livro revela-se como objecto e ferramenta de um quotidiano, onde o leitor constrói a escrita do livro.

António Lobo Antunes costuma dizer que depois de escrito, o livro é do leitor. As diversas leituras dão ao livro significados diferentes no tempo e no espaço. Leituras do próprio autor, em função de contextos diferenciados, onde a leitura pública ofereceu respostas à formação de leitores e às dúvidas do autor. Compreender o acto criativo pelas palavras é ainda hoje um mistério e o verdadeiro desafio para comparar o diálogo entre a voz do escritor e a a voz do texto. 
Leitura e assimilação que foi feita de modo diverso e que as portas da leitura realizaram ao alimentarem mundos particulares.

Que dimensão têm as nossas memórias? Participamos delas, ou elas são episódios que nos chegam por outros e assim nós somos construção da sua memória. Uma História que relacione as mentalidades e os quadros mentais com a vida vivida e a oferecida pelos livros é algo que está ainda timidamente feito. 
A análise dos personagens dos livros reflecte esta distinção na sociedade e é um dos aspectos simbólicos do livro. O seu leitor.
Ele é também o criador de uma conversação consigo próprio, mas também com o mundo. A memória conserva a dimensão de construção humana no espaço e no tempo, permite ensaiar novas formas de reconstruir a humanidade e o seu património. 
As memórias da leitura são em parte o testemunho dos momentos que por elas vivemos no real.

(1) - (Marcel Proust, O Prazer da Leitura)
Imagem: Copyright - "Dans la Bibliothèque" (1872) - Auguste Toulmouche (século XIX)

quarta-feira, 8 de julho de 2015

As Bibliotecas: a palavra

As Bibliotecas são a mais bela invenção da humanidade. Nelas construímos uma memória e por isso nela vemos uma construção de divindade, por essa dimensão de espaço e tempo que connosco emerge em páginas de sabedoria, em filas de amizade connosco vividas. Há quem já não as ache um templo, pelas necessidades de leituras em novos formatos, pelas competências digitais que importa desenvolver. Continuo a achar que o espaço, aquela matéria de eternidade é ainda um templo. 

A Biblioteca permite ser um espaço de recolhimento, entre os livros, onde podemos desfrutar momentos de lazer e de conhecimento. Nos últimos anos tem-se insistido em classificá-las, em função da sua capacidade de construir colecções, serviços ou comunidades e destas dimensões haveriam de nascer as que seriam as melhores Bibliotecas. Ainda assim um templo.

A Biblioteca deve ser vista como um espaço cultural, de confluência de várias artes. Deve permitir a promoção da capacitação institucional. A Biblioteca é o espaço para construir a leitura, fazer leitores, alimentar esse fundo de imaginação capaz de dotar todos de melhores possibilidades de vida, porque de escolhas suportadas em conjuntos de dados, de ideias, de pensamentos mais completos, mais divergentes. Uma Biblioteca faz assim o leitor. E o que representa ler?

A Biblioteca é um espaço, mas é sobretudo o que fazemos nela, as ideias que tivemos com ela, com os livros e as que ainda tentamos ter, nos dias seguintes. A leitura. É com ela que disciplinamos o olhar e em transformamos o olhar, o ver normal, óbvio para outra coisa, onde superamos o medo e dispensamos o útil. A leitura é um dos nossos maiores privilégios.

É com a leitura que construímos na imaginação um campo de imagens. Por que ler é a partir das palavras e das frases, construir   as imagens que nos darão os mundos possíveis. Um bom leitor não lê apenas as frases, lê as imagens das palavras. Um mau leitor é o que apenas lê a frase. A palavra está muito ligada ao seu desenho, à sua caligrafia. O alfabeto, o livro, o número baseiam-se nessa ideia de desenho do traço. Deve pois, a Biblioteca acolher esse traço, envolver os leitores com esse desenho da palavra. Esse desenho da palavra conduz-nos ao livro.

Imagem - Galeria Vivienne, Paris.