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sábado, 10 de fevereiro de 2018

Directrizes da IFLA - Bibliotecas Escolares


Directrizes da IFLA (Federação Internacional de Associações de Bibliotecas e Instituições) para as Bibliotecas Escolares. 

Referência bibliográfica da página Internet [NP405-4]
PORTUGAL. Ministério da Educação. Gabinete da Rede Bibliotecas Escolares. Portal RBE: Diretrizes da IFLA para a biblioteca escolares, 2.ª edição [tradução RBE]. [Em linha]. Lisboa: RBE, atual. 21-11-2016. [Consult. 10-02-2018] 
Disponível em WWW: <URL: http://www.rbe.mec.pt/np4/1853.html>
(Via)

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Vinte anos de RBE - as Bibliotecas


(A RBE foi uma iniciativa de grande relevo para o papel das Bibliotecas nas escolas, para uma redefinição das estratégias colaborativas à volta do livro, das literacias e das aprendizagens. Quem conheceu as Bibliotecas antes dos anos noventa sabe como eram muitas vezes espaços desqualificados e sem capacidade para uma função integradora na escola.
Com a RBE nasceu uma ideia de partilha de competências e abordagens em rede e desenvolveu-se um conceito de Biblioteca como um espaço de afectos, onde todos cabem e onde os recursos permitem alimentar formas múltiplas de imaginação. Por esta ideia de Biblioteca criada pela RBE e alimentada por tantos, passa essa formulação essencial de com a Escola formar pessoas mais informadas, o que significa pessoas mais livres. Deixamos em baixo a mensagem da actual coordenadora nacional da Rede de Bibliotecas Escolares, Manuela Pargana Silva).

Em 1996 foi lançada a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE). Vinte anos depois, 2016 é o ano que dedicamos a celebrar o percurso feito, mas também, e sobretudo, a reflectir, a pensar em como podemos responder às exigências dos tempos que vivemos.  Tempos de grande aceleração, de crise de valores, de alterações profundas nos modos de perceber e de pensar. Como garantir que seremos abertos, flexíveis, adaptáveis e exigentes para garantir ao nosso público uma formação que lhes permita viver num mundo que ainda não sabemos como será?

Tudo vai depender de como formos capazes de perspectivar o futuro.
Com o trabalho, o esforço e a inteligência de todos - professores bibliotecários, coordenadores inter-concelhios, colaboradores do Gabinete RBE - chegámos até aqui com resultados de que nos podemos orgulhar.
Ao nosso lado temos parceiros próximos e valiosos que enriquecem o nosso programa, ao mesmo tempo que usufruem desta rede com créditos firmados.

Trabalhamos com professores, auxiliares, técnicos, mediadores de leitura, escritores e ilustradores, sempre concentrados no nosso público preferencial, os alunos, com quem também tanto temos aprendido.
A nossa forma de estar e de trabalhar é juntos e em rede e é assim que garantiremos que o que construímos nestes vinte anos não se torne passado ou ultrapassado. Conto com a energia de todos para concretizar o lema desta celebração: 20 anos RBE - uma história com futuro.


segunda-feira, 27 de outubro de 2014


O mês de outubro é escolhido há já vários anos pela ISAL, (International Association of School Librarianship) como o mês das Bibliotecas Escolares. Em cada ano a IASL escolhe um tema que procura agregar temáticas ou questões pertinentes para o universo das bibliotecas escolares. O Tema deste ano é, Biblioteca Escolar, um mapa de ideias, o que nos faz pensar sobre o que são e o que podem ser as Bibliotecas Escolares num contexto de mudança tecnológica, de imprevisibilidade económica e social e de dúvidas sobre os formatos que a educação pode assumir neste contexto.

As Bibliotecas Escolares representam ou devem representar uma centralidade na escola pela sua relação com o currículo e com a manipulação de conteúdos informacionais e de envolvimento das competências digitais. Num mundo de informação, o livro é ainda um objeto, um material de cultura e um património de memória. É importante redefinir o papel da Biblioteca num contexto de sociedade de informação. Neste sentido o que é um livro? O que nos permite ele concretizar no universo das ideias? 

A leitura é um imenso privilégio, pois significa que superámos as mais condições da utilidade dos dias, que já não vivemos num quotidiano de carências, de sobrevivência e de medo. A leitura permite ter acesso a um espaço de recolhimento, para desfrutar momentos de lazer e de conhecimento. O livro é o único suporte de leitura que se basta a si próprio, pelo que só depende do leitor, do seu tempo privado, ao contrário da televisão, ou do cinema. O livro chama-nos, carece do nosso entusiasmo.

O que faz a grandeza do livro é a sua essência, isto é, não a leitura em si, mas a criação das imagens que ela suscita. Podíamos dizer que a leitura vale pela sua literacia. O livro é um único suporte de leitura que se basta a si próprio, pelo que só depende do leitor, do seu tempo privado, ao contrário da televisão, ou do cinema. O livro chama-nos, carece do nosso entusiasmo.

Ler é assim, acima de tudo, o momento de construção de imagens, "o levantar a cabeça", imaginado essas imagens que a leitura trouxe. A leitura, a sua essência repousa na construção dessa reflexão, nesse tempo individual. A leitura isola o leitor, permite a imobilidade, instala o silêncio e concede-nos um processo de contra-movimento contra a cidade, o grupo, o barulho, o movimento, libertando-nos do tempo. Por isso a Biblioteca, como espaço de leitura assemelha-se a uma divindade, detentora de uma energia, como a de um templo.

A Biblioteca aprimora a concentração (cujo étimo do latim quer dizer, com um centro), promovendo o silêncio, a imobilidade e a individualização. Se a Biblioteca desistir desta sua  nobre função será outra coisa, que não um espaço acima do tempo e do espaço, onde os seus fantasmas nos falam dos temas eternos, o amor, a luz, a felicidade, a viagem, o outro.

 Deve assim a Biblioteca encaminhar os seus leitores ou utilizadores para um património literário e cultural que é a mais elevada forma de respeitarmos a nossa mortalidade. É a nossa graça, num tempo de cultivar as diferenças, mostrando estar disponível, ao tempo dos outros. É esta conciliação que torna difícil concretizar esta aspiração de juntar o livro à expressão de uma valor digital, de aprofundamento de técnicas de estudo. A Biblioteca Escolar deve procurar esta ligação, pois nela reside o fundamento e o significado da sua existência numa escola.


domingo, 24 de março de 2013

As Bibliotecas Escolares

"Porque a Biblioteca  faz leitores críticos, estimula a curiosidade, a imaginação e a partilha... ela é o lugar mais fantástico do mundo!"

A RBE tem sido uma das "formas estruturantes" de com as bibliotecas e as escolas desenvolver caminhos de envolver a leitura e a informação nos alunos. Num ano de incertezas este paradigma que a RBE deu consistência a uma nova forma de escola e de aprendizagem tem recebido alguns retrocessos. Desejamos que o seu papel como condutora de processos e de caminhos diferenciados possa continuar a crescer.

Nas notícias insistentes de incapacidade de postular a educação como um espaço de crescimento humano, teremos ainda possibilidade de caminhar dignamente, decentente para construirmos uma cidadania que se sabe expressar e fundamentar no que sabemos ser? Poderemos ainda construir em conjunto, um caminho de possibilidades, ou ficaremos reduzidos a acções vazias e sem assombro pelos dias?

Terá ainda a escola portuguesa espaço e oportunidade para alguma imaginação, para alguma ideia nova, um sentido de aprendizagem dinâmico que conjugue memória e transformação? Desejemos e lutemos para que a Biblioteca Escolar possa continuar a ser a respiração construída pelo pensamento humano na ideia grandiosa de Borges "como um espaço de tranquilidade e de redenção das nossas pobres qualidades humanas". (1)

(1) Jacques Bonnet, Bibliotecas cheias de fantasmas  

quinta-feira, 21 de março de 2013

A inspiração ... como caminho

"As bibliotecas são como os jardins. Para ter sombra temos que esperar que as árvores cresçam. Ou então colocámos umas árvores já feitas que ficam muito bonitas mas que morrem a seguir. A poetisa brasileira, Adélia Prado, diz: "não quero a faca, nem queijo. Quero a fome". Mais importante que ter lá os livros é ter fome deles". (1)

As Bibliotecas Escolares em Portugal vivem do trabalho, da dedicação, da imaginação de muitas pessoas, de muitas vontades, de todos os que compreendem que realmente a BIblioteca é o melhor lugar do mundo, porque diferentes pessoas têm a possibilidade de serem construtoras de cidadania consigo e com os outros. As bibliotecas são pois guardiãs dessa beleza de tentar ser o sonho de reconstruir quotidianos novos com as divindades do passado e com o olhar do presente.

Neste caminho fascinante e nunca terminado, com enquadramentos novos, com possibilidades reescritas pelos nossos passos, a leitura, os livros, os jovens, a literatura e o gosto pela expressão diferenciada de emoções e valores há quem primeiro visse esta luz. Esta possibilidade de com a escola construir espaços novos de conhecimento e aprendizagem, sem os fantasmas do passado, mas com a humildade apenas de querer saber mais.

Prémio europeu das bibliotecas escolares há alguns anos, ela foi uma das pessoas que cedo compreendeu o alcance das bibliotecas escolares numa organização como a escola. Nesta evocação de quem também ama as bibliotecas escolares, um sorriso sobre uma pessoa que tanto nos tem ensinado numa energia contagiante. A sua sabedoria e experiência tem sido um fator de progresso e de construção das bibliotecas escolares. Lembrar o papel das bibliotecas é também o daqueles que a têm construído em doses de grande partilha e afeto.


(1) (http://www.omirante.pt/noticia (2010)

terça-feira, 19 de março de 2013

Fazer leitores


O que é uma Biblioteca Escolar?
É, como sempre foi, um lugar de procura de saber. Mas hoje o que se procura, o que se encontra, o modo como se opera para encontrar, as tecnologias que usamos, não são apenas a tecnologia do livro – temos recursos em suporte papel e em suporte digital. E as bibliotecas escolares são também os professores bibliotecários. São eles os orientadores, quem transmite aos miúdos uma consciência dos méritos e das vantagens acrescidas, mas não escondendo os seus perigos – no sentido da ilusão de que tudo o que está na internet é verdadeiro. A era da web não pode viver só da destreza, tem de viver de competências que não são inatas. Nenhum leitor nasce leitor. E isso é válido tanto para a tecnologia do livro como para o ambiente digital. Os leitores fazem-se com trabalho, com produção, com prática continuada.
Segundo o último estudo do PNL, o interesse dos jovens pela leitura aumentou e 52, 4 % consideram-na agora muito importante. As bibliotecas escolares tiveram um papel nessa mudança de atitude?
Quero crer que sim. O estudo demonstra que há um trabalho de retaguarda da Rede de Bibliotecas Escolares, que há mais miúdos a frequentá-las, uma melhor qualificação e que a oferta se vem adequando aos tempos. Costumo dizer que as bibliotecas escolares são a infraestrutura, e o PNL, uma espécie de supra-estrutura, que trouxe uma narrativa construída para divulgar a leitura como um bem, valorizá-la socialmente, torná-la uma imagem de marca. Os miúdos habituam-se a que “LER+” não é uma coisa “cota”, os pais associam “LeR+” a uma marca de qualidade, e isso trouxe, objectivamente, como verifica este estudo, uma valorização da leitura.

O que é ler com competência?
Primeiro, é ganhar o código de leitura. Tal como andar de bicicleta ou nadar, o que exige tempo e persistência. Depois, é necessário ter mecanismos para perceber o que os miúdos, mesmo lendo com destreza, não entendem porque ler é interpretar. Muitos meninos acabam o 4º ano sem essa competência bem cimentada. Estão condenados a serem maus leitores, logo maus alunos, em muitos casos reproduzindo a exclusão que transportavam à entrada da escola. Os estudos do PISA demonstram que em Potugal a escola é inclusiva, e a biblioteca ajuda também nesse trabalho. Tendo em conta que quando entra na escola um menino de uma família mais letrada está logo condenado a ler melhor porque tem o triplo do vocabulário de outra criança de famílias menos letradas, percebe-se a importância do trabalho da escola e da biblioteca.

Em época de crise, o papel das bibliotecas é ainda mais importante?
Acho que sim. Falamos sempre das bibliotecas como locais de inclusão, quer pelos recursos que têm quer pelo facto de quem as governa desempenhar um trabalho que muitas vezes as famílias não fazem porque não sabem ou porque não podem. Quanto mais vivemos no mundo da informação (e hoje a atravessar momentos de menor abundância), mais as bibliotecas, como lugar de abundância, devem ser usadas em rede. Tenho consciência de que, no caso das bibliotecas escolares, o que verdadeiramente faz a   diferença é ter lá pessoas que governam as bibliotecas. Se assim não for, são subaproveitadas. 
In Visão, 20 de Outubro de 2011

(via http://blogue.rbe.min-edu.pt)