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terça-feira, 20 de março de 2018

Miúdos a votos - promover a leitura

A leitura pode ser promovida de diferentes modos. Chamar à atenção para o valor civilizacional da leitura é algo que pode ser feito num ambiente mais formal ou de um modo lúdico. 

A revista Visão e a Rede de Bibliotecas Escolares promovem uma campanha “Miúdos a votos, quais os livros mais fixes?”, em que se pretende que os alunos dêem conta de um livro em que possam defender como um objecto com o qual se identificaram ou dele retiraram um simples prazer de ler.

Os alunos podem fazer uma campanha eleitoral por um livro fixe e apelar aos colegas que participem numa votação nacional. Votar por um livro, por um conjunto de ideias é sem dúvida uma forma lúdica e divertida de promover o livro e a leitura. Existe um conjunto de livros para fazer a escolha e essa campanha e que se encontram no link abaixo.

Fonte:  Visão Júnior|

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O diálogo das palavras


"Se queremos escrever livros a sério temos que aspirar ao silêncio e encher os livros de silêncio. O leitor lê as palavras que não estão lá escritas e no entanto estão lá. O que os livros tratam todos é de uma paisagem interior. E é por isso muito difícil falar deles. É sempre a mesma busca.

Primeiro a angústia do homem no tempo e depois uma procura de si, da natureza do homem. Penso que os livros são todos isto. Muitas vezes não é um trabalho de elaboração prévio à escrita. É a própria escrita que vai moldando a estrutura do livro. O livro é feito de palavras. São as palavras que vão moldando. E só assim podem carregar com elas as emoções. E os grandes livros são são serão livros doentes? 

Este livro é triste. É idiota dizer isto, porque quando a mão é feliz, o livro é uma alegria para o leitor. Ou quando falam em intriga. Não há intrigas. As pessoas dizem vou contar uma história. Não vão contar história nenhuma. Os romances maus contam histórias. Os romances bons mostram-nos a nós mesmos. Talvez seja isso. Um mau romance é aquele que conta uma história.

Escrever é uma coisa muito difícil. O ideal é que o livro fosse encontrar um deserto com vozes. Reduzir as coisas à pedra de que somos feitos. D. Manuel José de Melo (autor do século XVII) dizia "o livro trata do que vai escrito nele". É isso. É o livro que manda, não é o autor. 

Temos perguntas, mas não temos respostas. E quando soubermos as respostas, Deus muda as perguntas. A nossa vida é uma pergunta perpétua. Os livros são perguntas que trazem respostas, muitas vezes às perguntas que não fizemos. Goethe dizia que "o não chegar é que faz a nossa grandeza". E como escritor de livros é isso que sou: um principiante". 

Jornal das Nove, SIC Notícias, 2012
Imagens  Copyright
 Good book by Julianna Collet Photography
Escritaria 2012 - Homenagem a António Lobo Antunes (Napoleão Monteiro)