quinta-feira, 19 de maio de 2016

Amadeo de Souza-Cardoso (III)

Amadeo nasceu em Manhufe, no concelho de Amarante, a 14 de novembro de 1887. Cresceu no seio de uma família rica de proprietários rurais. Passou a sua infância entre a casa de Manhufe e a cidade de Espinho. Aí conheceu Manuel Laranjeira, cuja amizade foi determinante para incentivar a prática do desenho. Amadeo desenvolveu essa prática em Lisboa, no âmbito dos estudos realizados na Academia de Belas-Artes de Lisboa, nos anos de 1094 e 1905. Em 1906, parte para Paris, na companhia de Francisco Smith. Partiu sem saber quando voltaria. Instalou-se no Boulevard Montparnasse e preparou a sua entrada por concurso na École des Beaux Arts. Paris com seu o ambiente fervilhante de ideias e figuras, fascinou-o. 

Influenciado de modo particular pela ilustração que circulava na imprensa francesa, Amadeo dedica-se ao desenho e à pintura. Nos primeiros anos, convive em Paris com outros portugueses, com destaque para Manuel Bentes, Eduardo Viana  ou Domingos Rebelo Smith. Com eles vive um espaço de boémia e tertúlias no seu estúdio, nº 14, da Cité Falguière. Este convívio foi de curta duração. Em 1908, conhece Lucia Pecetto, com quem casará em 1914, e começa a frequentar as classes da Academia Viti, do pintor espanhol Anglada-Camarasa. Muda o seu ateliê para a rue de Fleurus, num espaço próximo do apartamento de Gertrude Stein. O afastamento do círculo português é uma opção para mudar o seu sentido plástico. Amadeo trabalha a um ritmo de grande exigência e de compromisso com as ideias que vai absorvendo. Pesquisa as ideias do modernismo em desenvolvimento em Paris. 

É esse contexto de investigação das ideias do Modernismo que, em 1910, o leva a entusiasmar-se pela pintura flamenga, numa visita que faz a Bruxelas. É, ainda, neste período, que aprofunda a amizade com Amedeo Modigliani. Em 1911, muda de estúdio e instala-se próximo do Quai d’Orsay, na rue du Colonel Combes. A sua primeira exposição, em 1911, apresenta um conjunto de seis pinturas, no Salon des Indépendants. Ainda em 1911, no estúdio da rue du Colonel Combes, realiza uma exposição conjunta com Modigliani. Entre 1912 e 1914, mostra o seu trabalho no Salon d’Automne. 

Por esta altura, Amadeo aumenta o seu círculo de amizades e de conhecimentos. Conhece Umberto Boccioni, Gino Severini, e Walter Pach. Será este último a convidá-lo a participar no Armory Show. Conhece e contacta com outros nomes importantes da arte como Juan Gris, Max Jacob, Sonia e Robert Delaunay, Brancusi, Archipenko, Umberto Brunelleschi e Diego Rivera, entre outros. 
Amadeo cimenta o seu interesse pelo desenho e entusiasma-se na preparação do manuscrito ilustrado da Légende de Saint Julien l’Hospitalier de Flaubert e pela publicação do álbum XX Dessins, com prefácio de Jérôme Doucet. O álbum é reconhecido como de grande valor pelo  célebre crítico Louis Vauxcelles. 


Amadeo procura alargar o seu círculo de contactos e expandir-se para fora de Paris. Para tal, consegue participar  numa série de importantes exposições, entre as quais a célebre Exposição Internacional de Arte Moderna de 1913, também conhecida como Armory Show, que mostraria pela primeira vez a moderna arte europeia nos EUA (Nova Iorque, Chicago e Boston). Amadeo apresenta oito obras, ao lado de Braque, Matisse, Duchamp, Gleizes, Herbin e Segonzac. Nesta mostra consegue vender três telas a um colecionador de arte americano, Arthur J. Eddy. Este colecionador de Cubist and Post-Impressionism (1914), cita e reproduz algumas das obras do pintor português. Em setembro de 1913, muda-se para outro estúdio, na rue Ernest Cresson e, meses depois, a sua obra é apresentada no I Herbstsalon de Berlim, organizado pela Galeria Der Sturm. 

Em abril de 1914, enviou três trabalhos para a Royal Academy de Londres, que nunca foram expostos devido ao início da 1ª grande Guerra. Ainda nesse ano, muda de ateliê e instala-se no nº 38 da rue Boulard, na Vila Louvat, que nunca chegará a utilizar. Nesse mesmo ano, depois de uma passagem por Barcelona onde conhece Gaudi, regressa à aldeia de Manhufe. A Guerra impede-o de regressar a Paris.  Em Portugal, continuará a sua obra, explorará a abordagem que fazia em Paris nos domínios da abstração e do expressionismo e abre um novo compromisso estético com formas de trabalho no domínio da colagem. Em 1915, com a visita de Sonia e Robert Delaunay, que passam por Vila do Conde, recupera os contactos com o grupo português, com destaque para Eduardo Viana, e conhece Almada Negreiros. Será através deste que conhece o grupo dos “Futuristas” em Lisboa, reunidos, no início, à volta da revista Orpheu.

Amadeo acabou por ter uma influência significativa no panorama da Arte em Portugal do seu tempo, ao ligar-se à postura modernista que Pessoa, Almada ou Sá-Carneiro difundiam. Essa forma de abordagem ao mundo foi reconhecida por Amadeo como importante para fazer a ruptura com as estruturas tradicionais dominantes. As mesmas estruturas que não o compreenderam, aquando das duas exposições feitas em Portugal. Essa mostras ocorreram no Porto e em Lisboa, em 1916, e tinham por Abstracionismo. A estética nacional dominante não o compreendeu, não aceitou as suas linhas pictóricas, num ambiente de quase escândalo. Almada Negreiros e Fernando Pessoa compreenderam-no e tentaram defendê-lo, reconhecendo-o como o pintor mais importante do seu tempo. Foram, contudo, manifestações de apoio isoladas. Amadeo morre em Espinho, em outubro de 1918, com trinta anos, vítima da epidemia de pneumónica que deflagrou nesse ano.  (parte dos materiais a incluir num dos Boletins Bibliográficos)

terça-feira, 17 de maio de 2016

Amadeo - Manifesto da exposição na Liga Naval - 1916


Em Portugal existe uma única opinião sobre Arte e abrange uma tão colossal maioria que receio que ella impere por esmagamento. Essa opinião é a do Exmo. sr. dr. José de Figueiredo (gago do governo).
Não é porque este sr. Tenha opinião nem que este sr. seja da igualdade do resto de Portugal mas o resto de Portugal e este senhor em matéria de opinião são da mesma igualha. Um dia um senhor grisalho disse-me em meia-hora os seus conhecimentos sobre Arte.

Quando acabou a meia-hora descobri que os conhecimentos do senhor grisalho sobre Arte eram os mesmos que o Exmo .. senhor Dr. José de Figueiredo usava para me pedir um tostão (1): Pensa o leitor que faço a anedota? Antes fôsse: Mas a verdade é que estou muito triste com esta fúria de incompetência com que Portugal participa na Guerra Europeia. E que horrôr, caros compatriotas, deduzir experimentalmente que de todas as nossas Conquistas e Descobertas apenas tenha sobrevivido a Imbecilidade. E daqui a indiferença espartilhada da família portugueza a convalescer à beira-mar.
Algumas das raras energias mal comportadas que ainda assômam à tôna d'água pertencem alucinadamente a séculos que já não existem e quando Um Portuguez. genialmente do século XX, desce da Europa, condoído da pátria entrévada, para lhe dar o Parto da sua Inteligência, a indiferença espartilhada da família portugueza ainda não deslaça as mãos de cima da barriga. Pois, senhores, a Exposição de Amadeo de Souza Cardozo na Liga Naval de Lisboa é o documento conciso da Raça Portugueza no século XX.

A Raça Portugueza não precisa de rehabilitar-se, como pretendem pensar os tradicionalistas desprevenidos; precisa é de nascer pró século em que vive a Terra. A Descoberta do Caminho Marítimo prá Índia já não nos pertence porque não participamos d'este feito fisicamente e mais do que a Portugal este feito pertence ao século XV.
Nós, os futurístas, não sabemos História só conhecemos da Vida que passa por Nós. EIles teem a Cultura. Nós temos a Experiência ⎯ e não trocámos!
Mais do que isto ainda Amadeo de Souza-Cardozo pertence à Guarda Avançada nA MAIOR DAS LUCTAS que é o Pensamento Universal.

Amadeo de Souza Cardozo é a primeira Descoberta de Portugal na Europa no século XX. O limite da descoberta é infinito porque o sentido da Descoberta muda de substância e cresce em interesse ⎯ por isso que a Descoberta do Caminho Marítimo prá Índia é menos importante que a Exposição de Amadeo de Souza Cardozo na Liga Naval de Lisboa.
Felizmente pra ti, leitor, que eu não sou crítico, razão porque te não chateio com elucidaçães da Arte de que estás tão longinquamente desprevenido; mas amanhã, quando souberes que o valor de Amadeo de Souza-Cardozo é o que eu te digo aqui, terás remorsos de o não têres sabido hontem. Portanto, começa já hoje, vae à Exposição na Liga Naval de Lisboa, tápa os ouvidos, deixa correr os olhos e diz lá que a Vida não é assim?

Não esperes porém que os quadros venham ter comtigo, não! EIles teem um prégo atraz a prendê-los. Tu é que irás ter com Elles. Isto leva 30 dias, 2 mezes, 1 anno, mas, se tem prazo, vale a pena sêres persistente porque depois saberás também onde está a Felicidade.
JOSÉ DE ALMADA-NEGREIROS
Poeta Futurista
Lisboa, 12 de Dez, de 1916.

(1) Rectifico: O Exmo. Sr. Dr. José de Figueiredo veio substituir no original um Exmo. Sr. que tem por hábito pedir-lhe tostões.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Amadeo - desenhar uma personalidade fascinante (I)


Aprendia a ser-se. De um toque de dedos derrubava o chapéu para a nuca, quedava-se inclinado sobre um quadril, ou então descia solidamente a escadaria de granito, estacava de pernas afastadas, farejando afrontas e risos, pronto a replicar. Deste modo se estabelecia numa certeza conjectural, se reunia forças para se ter íntegro e violento em seu inexaurível desejo de vida.

E a paz vinha de se acreditar, num cenário que era ainda indecisa a autenticidade dos trabalhos inventados. A poeirada dessa quinta recôndita enchia-lhe por vezes os olhos, os arvoredos esbatiam-se num verde grosseiro e afogado. Mas não desertava do posto, timoneiro de si próprio como se confessava amiúde, acreditando nas mãos enfiadas até às profundas das algibeiras, guardião de confidências, abridor de sortes.

Os rafeiros vinham devagar até ele, rondar-lhe a figura, deitavam-se-lhe aos pés. Um carro de bois insistia ronceiro em sua marcha, arrastando a paciência na estrada por detrás da casa.

Um dos tios de Amadeo iniciou a escrita de uma obra que seria a biografia de uma vida, justamente a de Amadeo de Souza-Cardoso. Mário Cláudio com conhecimentos na região pela sua própria origem nas terras entre Douro e Minho veio a ter acesso a esse texto inicial. A partir dele escreveu um texto belo e substantivo, narrativo e poético que tenta chegar a esse ponto inicial do homem antes do artista. Que tenta chegar ao desenho de uma vida. É um texto que nos confirma ou inicia a quem não conhece as formas desse brilho humano chamado Amadeo de Souza-Cardoso.

Mário Cláudio. (2016). "Amadeo", in Triologia da Mão. Lisboa: D. Quixote, página 26, 27
Imagem: Copyright - Biblioteca de Arte - Fundação Calouste Gulbenkian

Descobrir Amadeo de Souza-Cardoso (II) - Os livros


 
"Eu trago sempre comigo ilusões, uma juventude forte e inquieta [...] A vida deu-me um destino a cumprir."

Se a sua obra se tornou fascinante de cor e vida, redescoberta tardiamente no País, mas conhecida no seu tempo sobretudo em Paris, a sua personalidade e o seu percurso de vida são igualmente uma descoberta que nos pode encantar. Os seus momentos de angústia e ansiedade nessa luta entre o que não era capaz de atingir e os momentos grandiosos que revestiam pensamentos novos a sentimentos velhos, como ele dizia é uma eloquência da sua genialidade.

Palavra muito gasta e que Amadeo revestiu de um cariz novo pelo empenho em encontrar uma linha para revelar essa energia vital que o conduzia pelas formas e pelas cores. Diálogo de Vanguardas permite conhecer o que foi a exposição na Fundação Calouste Gulbekian em 2006 e compreender a relação de Amadeo nas vanguardas do Modernismo europeu no início do século XX. Catálogo que nos explica a relação da pintura de Amadeo com Duchamp, Modigliani, Picasso, ou Sonia e Robert Delaunay.

Fotobiografia de Amadeo de Souza-Cardoso é um livro rico de informações sobre a vida de Amadeo revelando a correpondência com a família, diversos materiais e essencial para conhecer esse cometa que foi Amadeo, rápido e brilhante. Um livro para conhecer o percurso de uma das figuras essenciais do 1º Modernismo em Portugal.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Título: Flores 
Autor: Afonso Cruz 
Edição: 1ª 
Páginas:275
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 978-989-8775-73-3
CDU: 821.134.3-31"20"
Sinopse: Sou uma flor, daquelas que nascem nos cemitérios. Há uma veia que atravessa os séculos e que nos transforma em mitos. Guardo essa espécie de doença como uma gravidez, a esperança de que o amor me desenterre, me salve da morte, que abra a terra e do seu ventre tire uma nova vida, plena. Talvez ninguém se lembre de que somos todos mais antigos do que achamos. A nossa vida não começa no hospital ou nas mãos de uma parteira, mas sim na História, nos outros, nas vidas que nos precederam. Nascemos no mesmo dia em que o Universo nasceu, na mesma explosão. Eu, evidentemente, não sou excepção.O meu cartão de cidadão não tem o nome Inês de Castro, mas eu sou a Inês de Castro. Serei levantada do chão, porão uma coroa na minha cabeça. A vida eterna depende do amor dos outros, são eles que escavam a terra com as suas unhas e nos salvam do lugar frio e amorfo a que todos fomos condenados. Os nossos acidentes são diferentes, mas a essência, o osso do que somos é o mesmo. O tempo não nos separa, somos no presente uma face do passado, um novo ângulo do que já aconteceu.
(...)

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O primeiro modernismo - As vanguardas


Eu trago sempre comigo ilusões, uma juventude forte e inquieta [...] A vida deu-me um destino a cumprir.

A Biblioteca irá promover uma exposição e um conjunto de atividades que vão procurar relacionar Fernando Pessoa e a arte o seu tempo, justamente as Vanguardas. Falaremos do Orpheu, do modernismo como movimento cultural e estético, de Pessoa e da sua poesia, de Almada Negreiros e daremos um destaque significativo a Amadeo da Souza Cardoso. Ele será com Pessoa o centro dessa produção de materiais e de divulgação poética e artística.

Amadeo de Souza-Cardoso foi uma das figuras mais importantes da pintura portuguesa do século XX e deixou um marco expressivo na cultura portuguesa, pelas possibilidades que criou na formulação das ideias e de como estas poderiam recriar horizontes novos. Sentimos nele o valor do movimento modernista, que conhecemos com a revista Orpheu e com Pessoa, mas chegamos a fronteiras diversas, a que levaria ao expressionismo e ao cubismo. Na verdade, Amadeo inspirou-se no seu meio geográfico, de onde colheu formas e cores a que daria plasticidade com o que encontrou em Paris, para onde partiu, em 1906. 
Manuel Laranjeira, definiu-o como “um artista no significado absoluto do termo" e vemos nele uma força criadora de grande significado, uma preocupação com o trabalho produzido, a superação dos valores burgueses que ele conhecia, a dimensão artística da arte, como forma de transformar o mundo e a vida. 
Amadeo nasceu em Amarante, a 14 de Novembro de 1887, pertencendo a uma numerosa família, com bons recursos económicos. A sua passagem por Espinho permitiu-lhe conhecer Manuel Laranjeira que o incentivou na prática do desenho, que ele explorou, quando entrou em Belas Artes, em Lisboa, em 1905. Em 1906 parte para Paris, onde irá dar continuidade aos seus estudos. A ilustração que se praticava em Paris, fê-lo abandonar a arquitectura, tendo-se dedicado ao desenho de forma plena.
Esta frequência do espaço parisiense deu-lhe a conhecer figuras que o ajudarão a definir-se, como Eduardo Viana, Anglada-Camarasa, ou ainda Gertrude Stein. Em Paris, Amadeo conhece de perto o movimento modernista, aproximando-se de figuras que em diferentes geografias da cor, lhe vão permitir tornar-se o grande pintor que foi. Internacionaliza-se, realiza mostras da sua arte. Primeiro, em 1912, no Salon des Indépendents, e em 1914 no Salon d’Automne.  
Os seus contatos permitem-lhe integrar exposições, fora do circuito de Paris. Participa no Armory Show, Exposição Internacional de Arte Moderna, que se realiza em Nova Iorque, Chicago e Boston. Integra o catálogo de Arthur J. Eddy, Cubist and Post-Impressionism, onde se realça a sua plasticidade e cor. Também na Alemanha participou no  I Herbstsalon de Berlim. Passará também por Portugal, com duas exposições, onde vinha na época de verão.

Amadeo procurou agitar o meio artístico português, com as ideias do manifesto do Futurismo, de modo a romper velhas estruturas, mas o seu sucesso foi limitado. O campo estético não lhe foi favorável e apenas contou com os apoios públicos de Pessoa e Almada, aquando de uma das suas exposições. Morreu em Espinho, em Outubro de 1918. É uma das grandes figuras da História Contemporânea, mas à semelhança dos seus amigos do Orpheu, as suas ideias não foram integradas num país ausente da si próprio. E essa é uma das chaves da permanência do País, pelo esquecimento e pela sua marginal participação numa civilização de desenvolvimento humano. 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Amadeo de Souza-Cardoso - A criação do artista


Um pequeno filme sobre o percurso curto de vida e a genialidade de uma obra que se integra nas vanguardas que no início do século XX marcariam a cultura e a ruptura de valores na sociedade. Amadeo de Souza-Cardoso é um dos pontos mais altos da arte do século XX. Aqui o evocaremos em diferentes materiais que conduzirão uma exposição e a organização de atividades sobre o 1º Modernismo. Temática que tentará relacionar nesse período outros dois nomes essenciais Almada Negreiros e Fernando Pessoa.