terça-feira, 16 de junho de 2020

Minutos de leitura (XXXIX)

"Quando ela come cerejas,
Daquelas gordas, vermelhas,
Põe sempre quatro ou cinco,
Como se fossem um brinco,
A enfeitar as orelhas!

(Eu sei, eu sei... A minha mãe,
às vezes, parece uma criança!)





Vê como o Ginkgo biloba se abana
Com as suas folhas em leque,
Antes mesmo de florir...

Será apenas por vaidade
Ou será porque a temperatura
Já começou a subir?




Figo roxo, figo preto,
Figo preto, figo lampo,
Meu gifo pingo de mel,
Figo do meu encanto.

Conta-me de onde nasces tu,
De que paixão, de que amores,
De que mistérios da terra,
Se a tua mãe, a figueira,
Diz o povo, não dá flores.

- As flores que a minha mãe dá,
Guardo-as eu dentro de mim,
E sempre que tu me provas
Eu ofereço-te a doçura
De um perfumado jardim."

"Cerejas", Ginkgo biloba", "Figos", in As quatro estações do ano / Manuela Leitão, il. Catarina Correia Marques. Lisboa: Máquina de voar. 
Imagem: Copyright - Nur Eser; The incredible Seed Company; Art Finder

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Biblio@rs (XVIII-XIV)


A Civilização Grega - o belo como representação (III)
Kouré é a designação para pequenas estatuetas que pertenceram ao período arcaico da Civilização Grega, o que antecedeu o período clássico. As estátuas de Korés adotam uma atitude convencional. Elas apresentam a oferenda de um fruto, de uma taça ou de um pássaro. Mas cada escultura se revela individualizada pelo estilo do artista e pelo momento da sua criação no decorrer da evolução da escultura arcaica.  
A estatuária da Koré tem um aspeto majestoso, revelando robustez. As Koré designavam jovens mulheres e tinham sempre na representação uma oferenda que podia ser uma ave, ou um pássaro que se encontrava posicionado perto do peito. Existe uma rigidez plástica e uma revelação do tipo de vestuário usado. 
As Korés eram estatuetas oferecidas durante o período arcaico à deusa Atena e encontraram-se diversas na Acrópole de Atenas. Em algumas Korés da fase arcaica encontraram-se algumas representações que levaram alguns arqueólogos a pensar tratar-se já de uma imagem de deusas, com destaque para as que se relacionavam com a natureza, como Artémis deusa da caça. As Korés são uma das primeiras formas para observar a representação humana e a ideia de beleza que a Civilização Grega foi construindo, embora ela tenha mudado significativamente no período clássico.

Minutos de leitura (XXXVIII)

"Esta já foi a minha casa:
sentaram-se à minha sombra,
beijaram-se à minha sombra
e até tatuaram o meu corpo
com nomes, datas, corações.
Outros leram-me, sorriram
e alguns se acercaram do meu tronco
para ouvir a euforia dos pardais.
Agora a névoa arde, como arde,
nos meus ramos despidos, sufocados.
Agora sou uma estátua provisória
atacada por um mal que não conheço
nesta praça envolta em fumo e em ruído,
e o ar doente da cidade
pesa como chumbo sobre mim.
Arrancaram e levaram (para onde?)
os meus velhos companheiros de infortúnio;
como eles sou madeira sem valia,
apenas uma sombra dispensável - 
e as aves, como folhas no Outono,
desertaram para sempre dos meus ramos.


"Lamento do último plátano de uma velha praça do Porto", in Guardador de árvores. Porto: Trampolim, 2009.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Biblio@rs (XVIII-XIII)

A Civilização Grega - o belo como representação (II)

Adónis e Afrodite (na civilização romana Vénus) identificam uma das formas de observar a representação do belo. Afrodite era a deusa do amor. A mitologia fenícia e grega atribuíam a Adónis as qualidades da beleza masculina e que se relacionou no próprio mito com os espaços temporais ligados à natureza. 
Adónis teria nascido da casca de uma árvore, devido à ira de Théias, rei da Síria. Afrodite maravilhou-se com a beleza do jovem e decidiu protegê-lo. Apaixonaram-se quando Adónis já tinha crescido, o que levou à fúria do Deus Ares. Adónis passou para o submundo, onde governava Hades e Perséfone. 
Afodite decidiu então instituir uma celebração anual para lembrar a tragédia e a sua perda. Estas celebrações anuais ocorriam em cidades da Grécia e da Pérsia, desde o século V a.C., durante os quais as mulheres plantavam sementes de várias plantas em pequenos recipientes, chamados jardins de Adónis. 
Este mito de Adónis relacionou-se com os ritos que simbolizavam a morte das plantas e a sua germinação que simbolizava a vida. O mito de Adónis e de Vénus preenche de forma continuada a representação da arte no Ocidente e dessa representação se constrói um histórico da beleza. Falaremos aqui um pouco dessa evolução da ideia de beleza enquanto idealização e representação do belo, no contexto da arte da Civilização Grega.

Minutos de leitura (XXXVII)

Celebrar o Planeta!
"São completamente desnecessárias e destroem a vida marinha. Chegou a hora de declarar guerra às palhinhas!
Em média, uma pessoa gasta 38 mil palhinhas em 60 anos. 
Cada uma é usada durante breves minutos antes de ser deitada no lixo e, como todo o lixo plástico, as palhinhas costumam ir parar ao oceano, onde demorarão mais de 200 ANOS a decompor-se.
A verdade é que as palhinhas são um dos objetos encontrados com mais frequência com campanhas de limpeza de praias – e este é o cenário mais otimista. Foram encontradas palhinhas de plástico nas narinas de tartarugas-marinhas e no estômago de pinguins.
Já estás a ver o filme… As palhinhas são uma treta.
90% das aves marinhas mundiais têm plástico no estômago.
Alguns países e cidades já proibiram as palhinhas de plástico e mais surgirão o seu exemplo. Estas podem ser substituídas por alternativas mais ecológicas, incluindo palhinhas feitas de palha! Mas esta ideia não é nova. No passado, as primeiras palhinhas eram feitas com os caules ocos das plantas!
Foram substituídas por papel encerado para se tornarem impermeáveis e, finalmente, pelo plástico. Várias empresas voltaram a introduzir as palhinhas biodegradáveis e compostáveis, mas estas precisam ser fabricadas e transportadas até às lojas e habitações, gastando recursos pelo caminho. 
 O melhor será dizer definitivamente NÃO às palhinhas."

in 50 ideias para te livrares do plástico / Isabel Thomas

terça-feira, 9 de junho de 2020

Biblio@rs (XVIII-XII)

 
A Civilização Grega - o belo como representação (I)
Hoje e há algumas décadas deixámos de lhe dar atenção. Mas a sua representação foi durante séculos uma forma de aprimoramento por uma ideia que tivesse na sociedade tanta substância como a verdade ou a justiça. Durante muito tempo a sua representação edificou valores, pensamentos, formas de estudo, técnicas artísticas e formas de ver o nosso lugar na vida e no Universo. Falamos do belo e da sua representação.
Mais do que as estátuas, os templos, ou as cidades foi esse ideal que criou uma possibilidade daquelas serem criadas e tornou possível a sua própria materialidade. Esse ideal de belo é uma imensa dádiva da Civilização Grega para muitos séculos que se seguiram e permitiu renovações do pensamento, da cultura, da dimensão humana em diferentes sociedades. Os gregos deixaram a sua voz no futuro, mesmo naquele que nós já não viveremos; deixaram a sua inspiração para o possível de novas ideias.
Antes de falar do belo como representação importa colocar uma questão prévia. Quando pensamos em belo vem-nos à mente tudo o que envolve a vida humana. E há nela uma ideia relativa da sociedade e da cultura. O que hoje achamos belo amanhã muda de sentido, pois os códigos de beleza alteram-se. E, no entanto ao olharmos para a Vénus de Milo, ou o Discóbolo de Mirone, expressões da arte grega encontramos ali uma representação de algo que achamos bonito, algo como uma representação substantiva de belo. 
 Às vezes olhamos, gostamos e não compreendemos. Não percebemos, mas achamos bonito. Em muitas circunstâncias o belo talvez seja não só o que ultrapassa a compreensão, ou que está para além dela, mas que é um encontro com algo de maravilhoso e que se possivelmente se mantenha na incompreensão. Visitar um templo, ou ver um quadro, ou admirar uma paisagem provoca-nos sentidos diferentes, mas achamos tais observações belas. E, todavia compreendemos a sua funcionalidade?
Desde os Gregos que a ideia de belo evoluiu. A sabedoria foi a primeira forma de belo, foi nas palavras dos poetas que ela primeiro se definiu, com o que conhecemos da obra de Homero e Hesíodo. O belo relaciona-se com essa dimensão essencial de todos, a vida ainda. Como a podemos alimentar? Com que palavras? Com que sabedoria habitaremos a vida e a sua essência, o seu coração?
Parece pois essencial ter algum pensamento, descobrir nela uma sabedoria para a construir, para a edificar. Os gregos tinham uma ideia para isso e vale a pena conhecê-la no que será a última abordagem nestas últimas duas semanas, sobre essa construção inteligível da vida, a que o belo e a sua representação se encontram associados.
Imagem: Friso do Pártenon

Minutos de leitura (XXXVI)

Celebrar o Planeta
"Cada festa de anos é uma celebração de mais uma viagem que fizeste à volta do Sol…Por isso, porque não organizar uma festa para cuidar do planeta que te deu uma boleia?
As festas são fantásticas, mas para o planeta não são um motivo para celebrar. As festas de anos só acontecem uma vez por ano e, por isso, a maior parte dos produtos usados são descartáveis. Papel de embrulho, postais, decorações, pretos e guardanapos de papel, copos e talheres de plástico destinam-se a ser usados durante algumas horas e deitadas para o lixo. Mas não tem de ser assim.
Contagem decrescente para uma festa amiga do ambiente
5. Envia os teus convites e agradecimentos por email.
4. Faz as tuas próprias bandeirolas colando triângulos de papel de embrulho usado, páginas de banda desenhada ou sobras de tecido e um pedaço de cordel ou ráfia.
3. Serve comida e bebidas em pratos, copos e talheres laváveis. Podes comprar um serviço completo em segunda mão por um valor inferior ao dos produtos descartáveis! Guarda-o numa caixa especial entre uma festa e outra e empresta-o também aos teus amigos e família.
2. Nada de guardanapos! Em vez disso, disponibiliza uma bacia com água e sabonete, e uma toalha. Espalha pequenos contentores de compostagem e reciclagem para teres a certeza de que o lixo vai parar ao sítio certo.
1. Em vez de encheres sacos brindes em plástico com brinquedos de plástico para oferecer, propõe aos teus convidados que façam uma prenda para levarem para casa. Que tal decorarem um vaso de barro para plantas, criarem um pouco de slime recorrendo a experiências científicas, ou fazerem os vossos próprios cupcakes.
Ao Americanos estão entre os maiores fãs de facas, garfos e colheres de plástico, usando cerca de 40 mil milhões por ano. A França já aprovou uma lei que proíbe a utilização única de copos, talheres e pratos de plástico descartáveis. A partir de 2020, só serão permitidos materiais compostáveis."
Imagem: Copyright Grannies Gardens