domingo, 8 de setembro de 2013

Dia Internacional da Literacia


A Literacia é hoje, num mundo de informação e de generalizadas fontes e suportes, com uma socialização crescente dos jovens através dos elementos digitais ela apresenta-se como um factor de cidadania e de participação. Marginais ou limitados níveis de habilidade literácica mantém os factores de desigualdade no Mundo. Justamente a pobreza, a desigualdade na repartição da riqueza e um acesso a empregos precários e mal pagos. É pois uma área que escolas e bibliotecas devem promover para que a participação de na comunidade seja possível e feita como ganho cívico e social para todos. As Nações Unidas deixam-nos alguns testemunhos sobre este Dia Internacional de Literacia. Aqui

quarta-feira, 29 de maio de 2013

ler, aprender, transformar...

"A sala de aula passa a ser apenas um entre muitos outros locais, na escola e fora dela, onde as experiências de aprendizagem têm lugar, […] A relativização do conhecimento científico introduz a incerteza no campo da educação e sublinha o valor da pesquisa individual e do desenvolvimento das capacidades de manuseamento da informação. Aprender é cada vez menos memorizar conhecimentos e cada vez mais preparar-se para os saber encontrar, avaliar e utilizar. A capacidade de atualização passa a ser uma ferramenta essencial ao indivíduo."

É um excerto de 1996, de uma das pessoas que à frente da Biblioteca Municipal de Évora tem trilhado formas novas de exprimirmos o que pode ser a nossa criatividade com ferramentas novas. Aprender é também e cada vez mais exprimirmos as diferentes formas com que a inteligência se manifesta, vuisualmente, auditivamente e cinesticamente. 
É uma oportunidade para construir a cidadania em horizontes de informação que mudaram e que precisamos de acompanhar. É uma oportunidade para rever conceitos antigos desajustados à formação social dos alunos, à sua socialização e de motivar os mesmos para rentabilizar formas de construir conhecimento de outro modo, mais dinâmico.
É uma oportunidade para as escolas, para acompanharem o processo de transformação da sociedade da informação. Utilizar, aceder, transformar torna-se assim um conjunto de processos capazes de moldar a informação em suportes de construção do conhecimento. É essencial permitir e incentivar que os jovens exprimentem formas novas de construir a sua abordagem ao mundo, a sua criatividade naquilo que será o seu mundo  e as possibilidades de nele intervirem.
 
Calixto, J. A. (1996). A Biblioteca Escolar e a sociedade de informação. Lisboa: Caminho.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Livro - ler e ver

Gonçalo M. Tavares, na abertura do seminário, em Serralves, sobre as Bibliotecas, que futuro podem ter e o que podem ser fez uma brilhante apresentação do livro, como objecto, como material de uma cultura e como património da memória. Deixou-nos algumas ideias importantes que devemos tomar em conta quando falamos em Bibliotecas.

As Bibliotecas poderiam ser classificadas como medíocres, satisfatórias ou excelentes se forem respectivamente uma construção de colecções, de serviços ou de comunidades. Este último critério é o que nos devolve o que elas podem ser para redefinirem uma função formadora e mobilizadora na sociedade actual. É necessário redefinir a função da Biblioteca, pois a repetição funcional do passado transformará a Biblioteca numa arqueologia da História.

Nesta redefinição importa verificar o que é o livro? O que nos permite concretizar no universo das ideias? A leitura é um imenso privilégio, pois significa que superámos as mais baixas condições da utilidade dos dias, que já não vivemos num quotidiano de carências, de sobrevivência e de medo. A leitura permite ter acesso a um espaço de recolhimento, para desfrutar momentos de lazer e de conhecimento.

O que faz a grandeza do livro é a sua essência, isto é, não a leitura em si, mas a criação das imagens que ela suscita.Podíamos dizer que a leitura vale pela sua literacia. O livro é um único suporte de leitura que se basta a si próprio, pelo que só depende do leitor, do seu tempo privado, ao contrário da televisão, ou do cinema. O livro chama-nos, carece do nosso entusiasmo.

Ler é assim, acima de tudo, o momento de construção de imagens, "o levantar a cabeça", imaginado essas imagens que a leitura trouxe. A leitura, a sua essência repousa na construção dessa reflexão, nesse tempo individual. A leitura isola o leitor, permite a imobilidade, instala o silêncio e concede-nos um processo de contra-movimento contra a cidade, o grupo, o barulho, o movimento, libertando-nos do tempo. Por isso a Biblioteca, como espaço de leitura assemelha-se a uma divindade, detentora de uma energia, como a de um templo.

A Biblioteca aprimora a concentração (cujo étimo do latim quer dizer, com um centro), promovendo o silêncio, a imobilidade e a individualização. Se a Biblioteca desistir desta sua  nobre função será outra coisa, que não um espaço acima do tempo e do espaço, onde os seus fantasmas nos falam dos temas eternos, o amor, a luz, a felicidade, a viagem, o outro. Deve assim a Biblioteca encaminhar os seus leitores ou utilizadores para um património literário e cultural que é a mais elevada forma de respeitarmos a nossa mortalidade. É a nossa graça, num tempo de cultivar as diferenças, mostrando estar disponível, ao tempo dos outros.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

BAD - reforçar o papel das Bibliotecas e Arquivos



A BAD - Associação Portuguesa de bibliotecários, arquivistas e documentalistas vive desde há alguns anos, um processo de renovação do seu papel na criação de uma identidade formativa de um conjunto de profissionais que sentem a informação como um recurso essencial nas sociedades contemporâneas, para o qual há um conjunto muito variado de ferramentas e conceitos a dominar.

No tempo da Web 2.0 e das bibliotecas digitais, onde os espaços dos livros são cada vez mais acompanhados pela construção de relações de acesso à informação de um modo mais individualizado e crítico na construção do conhecimento a partilhar em redes colaborativas, a BAD tem trazido uma abordagem mais visível com o seu Notícia Bad que nos traz contribuições diversas do mundo das bibliotecas e dos arquivos. As bibliotecas escolares que chegaram mais tarde ao domínio necessário da Gestão Documental, da Organização da Informação, das Leituras e Literacias e das Tecnologias de Iinformação e Comunicação têm aqui um apoio muito importante na formação dos professores bibliotecários, mas também na difusão das suas necessidades e visibilidade do que as comprometem no espaço escolar com a Informação.

A BAD torna possível desde há dois anos, a adesão a custos mais modestos da entrada nesta associação a professores bibliotecários, o que é uma oportunidade para aceder a formação de modo mais económico, mas também contribuir para a definição de uma identidade que é a do professor cuja missão numa escola é estimular o acesso mais rico e divergente à informação, como meio de expressão da cidadania. A quem quiser aproveitar a oportunidade para aceder e contribuir com a sua visão, aqui fica o acesso.

domingo, 24 de março de 2013

As Bibliotecas Escolares

"Porque a Biblioteca  faz leitores críticos, estimula a curiosidade, a imaginação e a partilha... ela é o lugar mais fantástico do mundo!"

A RBE tem sido uma das "formas estruturantes" de com as bibliotecas e as escolas desenvolver caminhos de envolver a leitura e a informação nos alunos. Num ano de incertezas este paradigma que a RBE deu consistência a uma nova forma de escola e de aprendizagem tem recebido alguns retrocessos. Desejamos que o seu papel como condutora de processos e de caminhos diferenciados possa continuar a crescer.

Nas notícias insistentes de incapacidade de postular a educação como um espaço de crescimento humano, teremos ainda possibilidade de caminhar dignamente, decentente para construirmos uma cidadania que se sabe expressar e fundamentar no que sabemos ser? Poderemos ainda construir em conjunto, um caminho de possibilidades, ou ficaremos reduzidos a acções vazias e sem assombro pelos dias?

Terá ainda a escola portuguesa espaço e oportunidade para alguma imaginação, para alguma ideia nova, um sentido de aprendizagem dinâmico que conjugue memória e transformação? Desejemos e lutemos para que a Biblioteca Escolar possa continuar a ser a respiração construída pelo pensamento humano na ideia grandiosa de Borges "como um espaço de tranquilidade e de redenção das nossas pobres qualidades humanas". (1)

(1) Jacques Bonnet, Bibliotecas cheias de fantasmas  

quinta-feira, 21 de março de 2013

A inspiração ... como caminho

"As bibliotecas são como os jardins. Para ter sombra temos que esperar que as árvores cresçam. Ou então colocámos umas árvores já feitas que ficam muito bonitas mas que morrem a seguir. A poetisa brasileira, Adélia Prado, diz: "não quero a faca, nem queijo. Quero a fome". Mais importante que ter lá os livros é ter fome deles". (1)


As Bibliotecas Escolares em Portugal vivem do trabalho, da dedicação, da imaginação de muitas pessoas, de muitas vontades, de todos os que compreendem que realmente a BIblioteca é o melhor lugar do mundo, porque diferentes pessoas têm a possibilidade de serem construtoras de cidadania consigo e com os outros. As bibliotecas são pois guardiãs dessa beleza de tentar ser o sonho de reconstruir quotidianos novos com as divindades do passado e com o olhar do presente.

Neste caminho fascinante e nunca terminado, com enquadramentos novos, com possibilidades reescritas pelos nossos passos, a leitura, os livros, os jovens, a literatura e o gosto pela expressão diferenciada de emoções e valores há quem primeiro visse esta luz. Esta possibilidade de com a escola construir espaços novos de conhecimento e aprendizagem, sem os fantasmas do passado, mas com a humildade apenas de querer saber mais.

Prémio europeu das bibliotecas escolares há alguns anos, ela foi uma das pessoas que cedo compreendeu o alcance das bibliotecas escolares numa organização como a escola. Nesta evocação de quem também ama as bibliotecas escolares, um sorriso sobre uma pessoa que tanto nos tem ensinado numa energia contagiante. A sua sabedoria e experiência tem sido um fator de progresso e de construção das bibliotecas escolares. Lembrar o papel das bibliotecas é também o daqueles que a têm construído em doses de grande partilha e afeto.

(1) (http://www.omirante.pt/noticia (2010)